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Dogs: Bullets and Carnages, de Miwa Shirow

Há alguns mangás que nos fisgam pelos belos traços para então nos prestarmos atenção em seu enredo. Sou culpada disso em Bullets and Carnages, uma parte da série Dogs, do mangaká Miwa Shirow. E não me arrependi.

Dogs: Bullets and Carnages no Blog YUME!
Da série Dogs de Miwa Shirow


     Num futuro pós apocalítico uma megalópole sem nome na Europa possui vários segredos. Um prefeito que nunca aparece, forças policiais inteiras que não se comunicam, jornalistas que correm risco de vida, e vários distritos abaixo do solo, alguns secretos e outros bem perigosos onde crimes, modificações genéticas e tráfico de pessoas é algo bem comum.

     Uma organização sem nome assombra os subsolos. Raptam crianças e as usam em testes com o objetivo de "melhorar a raça humana". 

     Mas há algo além disso. Este melhorar da raça humana não serve a outra propósito que o de criar exércitos de super humanos para um objetivo ainda não deixado claro. Cientistas terríveis chegam a criar seus próprios humanos e os treinam desde crianças para que cresçam com as características necessárias - aqueles que não sucedem, viram monstros animalescos cuja utilidade é servir de saco de pancadas sem consciência de seus próprios atos para uma nova geração de crianças guerreiras que buscam suceder em sus próprias gerações.

     O engraçado é que embora esses raptos sejam tão frequentes, e os exércitos do submundo tão grandes, não são comentados ou realmente conhecidos seu verdadeiro poder e extensão. As pessoas que tem sorte de voltar à superfície  reaparecem com características animalescas como chifres, rabos ou personalidades e aparência realmente similares a animais. A situação chegou a tal ponto que se tornou comum, e os habitantes da superfície tem preconceito com os do nível abaixo por conta de suas modificações.


As personagens principais 

     E é para esse contexto que entram em cena os nossos quatro personagens principais. Todos antiheróis, pendendo mais para o lado de vilões do que para o de santos, mas com o objetivo de mudar a situação extrema que a cidade se encontra.

     Mihai é um ex assassino de aluguel, que agora vive tomando conta de um restaurante. Naoto é um ex experimento sem memória da sua vida passada, que foi treinada a vida inteira a ser spadachim por um homem que a salvou da morte.

     Badou é um jornalista freelancer, vendedor de informações ao submundo, que se não fosse as reações extremas que toma quando fica sem nicotina no sangue, seria normal. E Haine, um dos mais completos experimentos da Organização, que fugiu, e agora possui características genéticas de cão de caça.

     Todas as personagens principais tem seu futuro cruzado quando se encontram na busca de um objetivo: descobrir a verdade por trás dos atos da Organização e destruí-la. Para isso, encontraram muitos desafios, os mais difíceis impostos por eles mesmos ao acesso aos seus verdadeiros potenciais.


Uma luta entre Magato e Heine.
Observe a fluidez do movimento e a percepção das armas de Magato e Heine.
Veja também que o que realmente conta são as expressões dos personagens.


O mangá

     O mangá Bullets and Carnages faz parte da série Dogs, de Miwa Shirow. A primeiro fase "Prelude" foi lançada em 2001, e foi adaptado em um OVA de 4 episódios em 2007.

     A segunda, que é o atual "Bullets and Carnage", foi serializada apenas quatro anos mais tarde, em 2005 na Ultra Jump (uma revista mensal seinen da Shueisha)  e continua a estória a partir do "Prelude".

     Infelizmente, é um mangá que não é lançado periódicamente, e em alguns casos apresenta pequenos grandes lapsos entre um capítulo e outro. Acredito que isso seja o primeiro motivo de não ser tão popular.

     Até o momento da publicação desta matéria, existem 76 capítulos publicados até agora e a história... Bem, vamos falar dela agora.



     O segundo motivo pelo qual eu acredito que este mangá não seja tão popular quanto é possível é a demora e aparente inércia que as coisas se movem. Por sessenta capítulos, muitas coisas acontecem, mas a situação ainda é a mesma: ainda são os mesmos personagens cheios de dúvida sobre si mesmos e o seu passado, buscando uma vingança que nem sabem direito o que é, que não evoluem. Continuam sempre na mesma.

     Sabem aquele ditado: nadou, nadou e morreu na praia?

     Aparentemente, é esse o desenvolvimento do enredo do mangaká Miwa Shirow, vai acrescentado cada vez mais pontos no tecido, mas o bordado continua com a mesma cara.

     Os personagens são pouco explorados, e o desenvolvimento que tem é extremamente concentrado na faixa Haine (o ex experimento) - Naoto (a espadachim). Se o dois terminarem num casal, não será surpresa. 

     Isso me deixa triste pois a história tem grande potencial, e muitos segredos do passado ainda a serem revelados, principalmente no caso de Badou.

     

A Arte

     Ah! A arte deste mangá é uma peça a parte. Se falta consistência ao enredo, a arte preenche lacunas com um estilo que as vezes beira o abstrato, e é com certeza o ponto alto deste título.

     Miwa tem definitavemente grande talento na estilização de seus personagens, cujas aparências e posicionamentos são sempre calculados de forma a mostrar-nos o lado psicológico e moral. Diria que está no mesmo nível de Tite Kubo, o criador de Bleach. Uma coisa notória é que o mangaká não gosta de cenários elaborados, aliás, não gosta de quase nenhum cenário, então pode contar que 80% dos volumes simplesmente não os tem. São personagens num espaço vazio, interagindo entre si. Isso quando não são apenas os balões de falas. E isso quando não são quadros brancos vazios.


     Sinceramente, é um recurso difícil de se acostumar, mas ao longo de setenta capítulos o mangaká está melhor no calibre e a coisa toda dá uma certa sofisticação, que é bem vinda no meio de tantas cenas de tiros, espadas, sangue e violência urbana.

     Ah, e antes que eu vá me esquecendo de mencionar: há uma peculiaridade que eu ainda não entendi no tamanho de cada capítulo. Há bastante capítulos com 12 páginas, a maioria fica na média das 19 ou 21 páginas, mas também há alguns que chegam a 41! E numa ordem que não faz sentido... Seria isto uma característica da Ultra Jump? Eu acho que não. Alguém apto a explicar o mistério?



Conclusões

   
     Para se curtir bem Bullets and Carnages, aqui vai o meu conselho: aproveite-o, é um excelente mangá em sua área: a violência urbana. Somente isso. Não espere filosofia ou um enredo interessante. Não espere desenvolvimento a fundo dos personagens ou equilíbrio de cena igual aos quatro antiherois. Simplesmente, aprecie o título pelo o que ele é e isso evitará muitas dores de cabeça.

     É uma mangá para quem curte ficção, aventura, batalhas e mistério. É um mangá meio shonen, meio seinen, que foi elevado a um lugar especial pelas habilidades artísticas do mangaká, que o colocou em lugar de destaque para seu gênero.

     Posso te dizer que é um mangá que vale a pena, mas para quem quer algo estilo "o poder pelo poder", pois são sucessivas lutas cuja verdadeiro intuito é fazerem os personagens lutarem. E, cá entre nós, não encontrei até agora um mangaká que desenhasse a movimentação tão bem como Miwa Showa. É tão interessante que as sucessivas cenas de luta não cansam. Bom, mas eu falei tanto da arte e como sua curiosidade deve estar aguçada, vou deixar este slide para você. Aprecie:
     



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